Propor desafios atraentes para seu público: o grande dilema dos educadores

Quando se pensa em educação nos dias atuais, é comum vir à cabeça a imagem icônica de alunos desinteressados, desenhando em seus cadernos ou apostilas, debochando dos colegas de classe, ou fazendo quaisquer atividades que captem seu foco em maior grau do que a aula que está sendo ministrada. Na minha percepção, uma das principais dificuldades e frustrações que os professores encontram hoje é falta de interesse de seus alunos.

Mas a falta de interesse é genuína? Às vezes sim, mas na maior parte dos casos, não. Pelo que pude notar desde que entrei no ensino médio, até os dias atuais (faculdade) os alunos não estão suficientemente engajados na tarefa de aprender. Percebo que esta geração não está encontrando motivos suficientes para se conectar aos professores e, muitas vezes, não enxergam aplicabilidade dos conteúdos aprendidos em sala. Apesar disso, ainda é muito comum ouvir professores e pais proferindo as famosas frases: “Mas isso é importante para você!” ou “No seu futuro, você vai precisar!”, essa tentativa desesperada de captar o foco dos jovens é nada eficiente e apenas distancia-o ainda mais de seu objetivo.

Sei que você já ouviu essas frases em algum momento da sua vida (isso se não acabou falando para algum jovem da sua família). E, de certa forma, os jovens sabem que os conteúdos a serem aprendidos poderão ser importantes em seus futuros. Poderão. Por que destaquei? Bem, com base nas análises de Sidney Oliveira em seu livro Geração Y, a melhor forma de definir essa geração em apenas uma palavra, seria: agora. Por que? Porque os jovens “Y” querem para agora, querem fazer agora, querem descobrir agora, querem feedbacks agora, querem ser motivados agora. Sendo assim, qualquer coisa que será importante amanhã, não é importante agora.

O comportamento dos jovens da geração Y causa alguns impactos na educação, gigantescos, diga-se de passagem. Todavia, vale salientar que esses jovens também possuem uma capacidade impressionante de concentração quando algo é do seu interesse, quando estão se desenvolvendo ou quando estão sendo devidamente recompensados. Mas o que acontece quando nada disto ocorre? Esses jovens simplesmente buscam outros interesses, buscam outras formas de se desenvolver e buscam outras recompensas. Para eles é simples dessa forma. Para seus professores, isso é o caos.

A capacidade de concentração e de absorção de conteúdo dos jovens de hoje é incrível. Eles encontram o estado de flow (ou fluxo, em português) com muita facilidade. Seja jogando em consoles, lendo seus livros, assistindo suas séries favoritas, ou qualquer que seja o caminho utilizado para chegar no estado de flow. Entrar em flow, significa sair da sua realidade, experimentando uma sensação parecida com a de um pianista que se desconecta da realidade e faz alguns movimentos involuntários tocando Toccata and Fugue de J.S. Bach. Esta “desconexão” com a realidade significa que ele entrou em flow e não está agindo de forma consciente. O pianista entrou no “piloto automático” de tão focado e feliz que estava.

Entretanto, esta mesma capacidade de entrar rapidamente em flow também possui um revés: sair tão rápido neste estado quanto entrou. Tédio, dificuldade extrema e falta de aplicabilidade do assunto na vida cotidiana, são alguns componentes que impedem a potencialização de um estado de total conexão, entrega e engajamento. Quando pensamos no processo de ensino-aprendizagem precisamos encontrar alternativas criativas para lidar com este dado de realidade, como:

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Independente da estratégia adotada pelo professor, profissionais criativos são peças importantes e fundamentais na aprendizagem para que o estado de êxtase se faça presente nos alunos. Eles são a base para todo e qualquer método que possa ser utilizado, porque se o profissional é criativo ele pensa fora da caixa e dispensa os clichês de professores que ameaçam ou deixam alunos para trás porque estão desinteressados. O professor criativo cria o ambiente favorável ao flow. E você? Como engajaria seus alunos? Como proporia desafios de forma contínua, motivadora e aplicável? Aceita esse desafio?


Yan Soares é Acadêmico de Psicologia na Universidade do Vale do Itajaí, Produtor de Conteúdo na empresa Ágora Entertraining e “membro ativo” da geração Y.