Gestão da Singularidade

Conhecer a gestão da singularidade permite que o gestor amplie seu olhar para com sua equipe e não trate todos como iguais, mas sim que consiga extrair o máximo de habilidades que são únicas em cada indivíduo

O técnico Bernardinho, em entrevista após as olimpíadas Rio 2016, relatou que “quando eu gritava com a geração passada eles se sentiam estimulados em me provar que eram capazes. Esse time não, se eu passar a tensão pra eles, eles absorvem, ficam nervosos e não respondem bem.” Isto nos mostra o quão importante é identificar a real necessidade da equipe para que ela entregue o que é pedido.

Eduardo Carmello aprofunda um pouco mais esta questão do olhar diferenciado para a equipe e convida a perceber cada pessoa como um indivíduo com necessidades de liderança diferentes. Para isso ele traz a seguinte reflexão:

“Imagine um quarto de hospital com dez pacientes, cada um com um tipo de enfermidade: resfriado, diabetes, câncer, dor de cabeça, cólica renal etc. Entre eles, um médico está tratando a todos esses diferentes pacientes com …aspirina”.

Num primeiro momento parece loucura, não? Mas se realmente analisarmos como são realizadas a gestão de pessoas nas empresas nos deparamos com este formato: o gestor mapeia uma necessidade de treinamento, por exemplo, e todos de sua equipe participam, sendo que para alguns essa não seria uma necessidade. Outro exemplo comum nas empresas é a comunicação realizada pelo gestor sobre as estratégias da empresa, que geralmente acontecem de maneira massificada e não alinhada às expectativas e necessidades individuais, pois muitas vezes o colaborador só precisa saber o passo-a-passo de como realizar determinada tarefa.

Carmello nomeia este cuidado ao indivíduo como a gestão da singularidade e aponta que para ser um gestor da singularidade é necessário criar uma perfeita conexão entre orientação, engajamento e capacitação, para que as equipes possam produzir resultados superiores aos atuais.

Orientação

untitled-1-01Orientar é oferecer aos talentos a direção a ser percorrida. O gestor representa a bússola, o farol, o norte. É saber dizer para onde vão e o que querem alcançar.

Assim como é papel do gestor construir o significado da estratégia, também devem produzir a compreensão e o engajamento, demonstrando a razão de se escolher determinado caminho. Envolver e clarificar o que vão ganhar se forem juntos – gestor e talentos – e o que podem perder se não o fizerem. É preciso esclarecer a promessa estratégica. Definir quais objetivos, metas quantitativas, indicadores, plano de ação e competências precisam realizar para executar a estratégia com excelência e maestria.

 

Engajamento

untitled-1-02Engajar é explicar as regras, condutas, os valores e os princípios necessários para competir com ética e eficácia. É também desenvolver e comunicar iniciativas e comportamentos para fazer o certo de maneira correta. Engajar também é minimizar ou eliminar os bloqueios e barreiras de performance que impedem a equipe de manifestar autonomia, excelência e foco no proposito estratégico. É construir e fomentar sinais de coerência entre o que a empresa declara e o que ela manifesta em todos os espaços e cantos da organização. É preciso desenvolver espaços de conversação onde funcionários estejam dispostos a comunicar, acompanhar e ajudar a empresa a manifestar coerência entre o declarado e o manifestado.

 

untitled-1-03Capacitação

Capacitar é acompanhar e treinar funcionários com alta habilidade e responsabilidade para organizar e realizar o seu conjunto de tarefas, procedimentos e valores, conseguindo cumprir com aquilo que prometeram entregar em termos de competência, princípios e tarefas. É também atualizar constantemente as equipes para que possam aprender novos procedimentos e tarefas em momentos de mudança, conseguindo aprimorar suas competências e expandindo sua capacidade de ação. Além disso, é preciso oferecer feedbacks precisos e relevantes, orientados sempre para a melhoria de performance e alcance de seus objetivos.

 


Referência

CARMELLO, EDUARDO. Gestão da Singularidade. São Paulo: Editora Gente, 2013.