Gamificação não é a mesma coisa que Game!

Atuando no dia a dia corporativo, em palestras ou trocando experiências com colegas dos mais variados setores, percebi uma confusão muito comum sobre o conceito da gamificação, percebo muitas pessoas confundindo “Games” com “Gamificação”, ou então, entendendo que gamificar é a mesma coisa que jogar ou então transformar alguma coisa em um jogo. Este tipo de conceituação, embora faça certo sentido, está muito longe da verdadeira definição desta metodologia ou de sua aplicação prática. Para desfazer esse mal-entendido vamos começar entendendo o que são Games.

Games
Gosto muito da definição utilizada por Karl Kapp em seu livro “The Gamification of learning and instruction” que diz:

“Um game é um sistema no qual jogadores se engajam em um desafio abstrato, definido por regras, interatividade e feedback; e que gera um resultado quantificável frequentemente elicitando uma reação emocional”

Observando por esse prisma, podemos entender que um Game é um sistema fechado, constituído por regras previamente definidas que promovem o engajamento voluntário dos seus participantes através de elementos específicos. Um game pode conter aspectos da realidade ou até mesmo essência dela, mas o game nunca será uma cópia verdadeira da vida real. Logo, se tivermos que jogar porque alguém ordenou, deixa de ser um game sendo que, ele também não é algo essencial, na verdade podemos considerá-lo supérfluo, tornando-se apenas uma necessidade quando você sente prazer durante o jogo.

Gamificação
A gamificação não é a arte de criar jogos, muito menos tornar a vida em um jogo. A gamificação estuda os elementos que fazem dos games algo tão atrativo para o ser humano e como transportá-los para as tarefas comuns do dia a dia tornando-as mais atrativas.

Vamos olhar aqui 4 aspectos que definem muito bem um Game:

  • 1. Os games possuem metas claras e bem definidas que fazem com que o jogador saiba perfeitamente o que se espera dele. Isto dá ao jogador algo importantíssimo: um senso de propósito na execução de sua tarefa.
  • 2. Os games possuem regras que estabelecem como deve-se chegar ao resultado. Bons jogos limitam as formas óbvias de como atingir os objetivos e estimulam seus participantes a explorar outros caminhos, aguçando assim a criatividade e pensamento estratégico.
  • 3. Feedback em tempo real que informa ao jogador se ele está no caminho certo ou se aproximando da meta. Este tipo de informação mostra que as metas são atingíveis e motiva-o a continuar jogando.
  • 4. A participação é voluntária, ou seja, quando alguém aceita participar de um jogo ele está aceitando a meta a ser cumprida, as regras e os feedbacks constantes.

Imaginem agora, se conseguíssemos transpor estes aspectos para as tarefas do ambiente corporativo? Criar propósito para as atividades, estimular a criatividade e pensamento estratégico, fornecer feedbacks constantes e ter os funcionários engajados através de uma execução voluntária das tarefas. É exatamente isto que a gamificação sugere, despertar nas pessoas um maior interesse pelas suas tarefas, aplicando os elementos que fazem dos games algo tão extraordinário e motivador.

 

Referências:
Alves Flora (2015), Gamification, como criar experiências de aprendizagem engajadoras: Um guia completo da teoria à prática.
Burke, Brian (2015), Gamificar, como a gameficação motiva as pessoas a fazerem coisas extraordinárias.