Em seus estudos sobre o comportamento humano, o psicólogo Marshal Rosemberg consolidou essa ferramenta tendo como principal objetivo construir e estimular relacionamentos saudáveis, estabelecendo conexões profundas e reais com as pessoas. É de aplicação prática que produz resultados imediatos. Porém, como toda ferramenta requer treino para adquirir destreza ao utilizar.
Inicialmente a CNV propõe o abandono de quaisquer interpretações e julgamentos que estamos acostumados a utilizar em nosso cotidiano, sem perceber a carga de violência que essa atitude traz para as relações. É olhar para as pessoas que convivem conosco para além dos rótulos e preconceitos que criamos acerca delas. O próximo convite é deter atenção ao que acontece conosco, ouvir nossos sentimentos e compreender para onde estão apontando. Aceitar que temos sentimentos diante de coisas que nos acontecem, nomeá-los e prestar atenção ao que nossos sentimentos querem nos dizer como sinalizadores que de fato são. Trata-se de uma abertura para equilíbrio e desenvolvimento de inteligência emocional. Antes de responsabilizar o outro pelo que estou sentindo, busco entender que a ação do outro produziu em mim, sentimentos que falam de necessidade minhas, e não do outro.
Passo então a identificar que necessidade está gritando para ser atendida. Quando não damos voz às nossas necessidades, através de pedidos, elas ganham potência e no momento oportuno retornam com força igual ao tamanho da força que empregamos para suprimi-las. Nota-se que o comportamento agressivo geralmente é oriundo de uma pessoa que se encontra alienada ao que acontece consigo mesma e precisa de ajuda para traduzir suas emoções e necessidades. Para estabelecer esse tipo de relação, é preciso olhar além do comportamento agressivo que nos choca, e perceber que diante de nós há um ser humano que não encontrou outra forma de expressar sua frustração, além do comportamento violento.
CNV não é apenas uma técnica, por mais que assim pareça ser, é uma ferramenta que quando a conhecemos, passa a ser um estilo de vida. Aprendemos a respeitar nossas necessidades e as do outro, estabelecendo um lugar de encontro.
Gislâne Martins, psicóloga, pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-SC e especialista em Leitura e Manejo de Grupos pela Sociedade Brasileira de Dinâmica de Grupos -SBDG. Atualmente é psicoterapeuta, consultora e realiza trabalhos de desenvolvimento de grupos. Tem vivência na área de Gestão de Pessoas, como Gerente de Recursos Humanos, Business Partner, entre outros.